Henrique Gáudio: Sal,meu
querido,vamos lá,as apresentações,quem
diabos é o Sal,quanto tempo ta nessa vida
de rockista tocando,enfim,se apresente:
Sal: Bom, eu sou o Sal, tenho 23 anos, toco desde
os 13 eu acho. Comecei com uma daquelas clássicas
e infernais bandas de pop rock que tocavam Charlie
Brown quando ainda era maneiro pq só tinha
o Transpiração Contínua Prolongada
na época. Daí minha segunda banda
foi meio que um cover de Maiden, mas a gente tocava
Dream Theater, Helloween e Bad Religion também. É,
bad religion. Comecei no punk rock com uma banda
chamada Moon Likes Dancing, que depois virou Gasoline
e de onde eu emprestei várias músicas
pro Phone Trio e daí fudeu, né.
H: Bom,vamos começar pelas bandas,obviamente
né,então Sal,como foi sua entrada
pro cinedisco,sua expectativa quanto a isso,tocar
com amigos e tal,no caso o Matheus que toca com
você também no Phone Trio?
S:Bom, eu assisti o Cinedisco nascer e crescer
e sempre estive junto nas correrias dos muleques.
Mesmo quando não tinha Phone Trio junto,
eu acompanhava as tours e tal. O Cinedisco é uma
grande família da qual eu sempre me senti
parte, então no final das contas a única
coisa que mudou é que agora eu subo no
palco, participo das composições
e dos estresses. Amo todos os integrantes da
banda, somos todos grandes amigos.
H: Antes de entrar pro Cinedisco você já tinha
alguma experiência com o circuit bending(o
que seria mudar circuitos de brinquedos ou circuitos
pequenos pra “brincar de música”,tipo
o The Get Up Kids),que é um diferencial
no Cinedisco,que podemos identificar desde o
primeiro álbum(o cinedisco tem lançado
o “Livros,brigas e um pouco de delírio
cotidiano”,seu primeiro álbum,um
split com a banda Deluxe Trio que se chama “Mais
delírio ,menos sal” e acaba de lançar
seu segundo álbum full,o “Baile
de gramofone”).
S: Na verdade eu sempre me interessei por Circuit
Bending, mesmo antes de saber o que isso significa.
Mas eu sou meio prego com eletrônica, me
arrependo muito de não ter prestado atenção
direito nas três cadeiras de eletrônica
que eu tive na faculdade. O mais perto que eu
cheguei de ter um contato legal com Circuit Bending
foi quando eu coloquei meu Big Muff dentro de
um telefone antigo. Deu pau duas semanas depois
huaehuahae Agora eu tenho estudado o Circuit
Bending e tal.
H: Sal,sei que você não
chegou a gravar o Baile de Gramofone,mas você acompanhou
de perto a gravação,desde a fecundação
ao parto,fala ai um pouco sobre,e os planos sobre
esse álbum.
S: Então, na verdade eu não participei
at all da gravação e concepção
do Baile, mais porque eu tenho uma coisa mais
particular com música. Tipo, quando to
ensaiando ou gravando é como se tivesse
pelado com uma mina, sabe, não gosto quando
tem gente de fora olhando e tal, preciso dessa
intimidade com meu trabalho. Em função
disso eu também não gosto de ser
o vouyer da história, nunca vou a ensaio
dos amigos, gravinas e etc. Mas isso é até mais
legal porque eu pude ouvir o Baile como ouvinte
mesmo antes de ouvir como membro da banda. Por
isso pude criar uma relação com
ele em que eu percebo as qualidades e defeitos
mas também tenho um carinho muito grande
por ele. Quando a gente ta tocando as vezes tem
uma música que a gente acha über
foda de tocar, rola mó climão,
mas pra quem vai ouvir é meia-bomba. Tendo
conhecido o Baile de Gramofone antes de ser integrante
da banda (pq eu já tinha uma cópia
da mix hehe) eu pude contrabalancear isso e pesar
o que é muito foda e o que dá mó tesão
de tocar.
A proposta do disco – ou melhor, da banda como um todo – é fazer
música boa pras pessoas dançarem, viajar, fazer amigos e etc.
Se der pra ganhar um trocado com isso, melhor ainda. Por isso, tipo, os planos
pra esse disco são continuar living la vida loca, espalhar nosso som,
passar uma mensagem, sabe. Dá mó tesão quando você vê que
o seu som é importante pra outras pessoas, que você conseguiu
toca-las talvez da mesma forma que você foi tocado quando fez a música.
Muito bom mesmo.
H: Agora vamos falar da suas outras
bandas,apresente-as e as comente.
S: Então, eu tenho o Phone Trio, que é uma
banda de pop punk, bem Califórnia,em inglês
e tal e que tirando o Cinedisco é com
certeza a mais conhecida das minhas bandas. Tenho
o Sinestesia também, que eu não
gosto de definir huaehuaeh é porrada.
Música pra macho. Dois vocais, um berrado
e um cantado, riffs Panterísticos e muita
acidez nas letras. Sem cair no bandwagon do screamo,
por favor huaehaueh E tenho o Sonic Soundsystem,
que é um coletivo de eletrorock de improviso
e é mó legal, a gente toca de vez
em quando nas festinhas new rave aqui no Rio
e tal. É a coisa mais doideira que eu
já fiz. Eu sou um cara bastante tradicional
com música, gosto de pop, de melodia forte,
de 4/4, de harmonia manjada hauehauehe
H: O phone trio tem um publico fiel
que vem crescendo,vocês estão na preparação
do primeiro álbum full não é?
S: Exato, estamos gravando nosso primeiro Full-lenght
nacional (o nosso EP Brickwall saiu no Japão
com 4 faixas a mais, podendo ser considerado
um full-lenght) e ta ficando do caralho. Vão
ser 12 a 14 faixas com tudo aquilo que a gente
gosta. Muito punk rock, muita melodia, tecladinhos
e algumas surpresas hehehe O disco vai se chamar
Houston, We Have A Problem e deve estar saindo
lá pra Janeiro de 2009.
H: Vocês meninos talentosos fazem
como pra compor pra tantas bandas,porque é uma
correria imensa,shows em outros estados,integrantes
que moram em outro estado,fala ai um pouco.
S: Então, no Phone Trio eu faço
todas as composições. As idéias
vão aparecendo e tal e de vez em quando
rola uns momentos férteis surreais. Há umas
duas semanas eu tava fazendo umas 5 músicas
ao mesmo tempo, pra tudo quanto é banda
huahuehae Eu costumo escrever bastante coisa
diferente, coisas em português, coisas
não-rock e etc. Gosto muito de compor,
acho que é a única coisa que eu
sei fazer direito haueheuhe
No Cinedisco o Lelê chega com a idéia
da música e a letra e a gente monta ela
junto todo mundo, é uma delícia.
Quando a gente ouve a pré das músicas
e compara com como elas ficaram depois que todo
mundo botou um pouquinho do seu tempero na mistura
chega a ser até chocante. A música
muda bastante no estúdio e a gente costuma
trabalhar melhor assim mesmo. A maioria das músicas
do Cinedisco foram feitas na hora, no estúdio
mesmo.
No Sinestesia a gente chega com riffs de um lado,
o Fernando, nosso vocalista, chega com suas letras
incríveis, a gente junta tudo e grita
pra caralho. É lindo =~
Além disso eu componho outros materiais,
to sempre tentando encaixar músicas minhas
nas bandas dos amigos huaehuaeh Por enquanto
não rolou nada ainda, mas é foda,
acho um desperdício eu fazer tanta música
e deixar guardado. Se alguém quiser um
som aí... huaehauehae
H: Agora pra não fugirmos das perguntas
clássicas,o que você anda ouvindo
e o que você nunca deixa de ouvir?
S: Eu ando ouvindo esses dias um som que eu nunca
deixo de ouvir também, que é o
Swing. O Swing é uma coisa incrível.
Começou lá nos anos 20 quando viram
que tinham que botar o jazz mais no chão
se não ia dar merda hauehaueh e nego começou
a fazer um jazz com estruturas fixas, com refrãozões
e etc. Daí vieram as Big Bands como a
do Count Basie por exemplo, que viajavam o mundo
espalhando swing pra galera. Aí veio o
Jive e o Bebop que eu gosto tanto quanto, não
consigo nem separar muito da geração
swing. No Jive tem os três caras que eu
mais curto dessa época, que são
o Louis Prima, o Louis Jordan e o Cab Calloway.
O Louis Prima é o que eu tenho ouvido
pra caralho esses dias e é um dos meus
artistas favoritos, eu nunca vou deixar de escutar
esse cara. Depois na década de 90 rolou
um Swing Revival, encabeçado pelo gênio
Brian Setzer que teve a brilhante idéia
de tocar com uma Big Band e resultou num dos
melhores momentos musicais da década de
90. Daí veio Big Bad Voodoo Daddy, Cherry
Poppin’ Daddies, Big Rude Jake, Squirrel
Nut Zippers, Royal Crown Revue, The Atomic Fireballs,
Dem Brooklyn Bums Big Band e tantas outras bandas
sensacionais que nunca vão sair do meu
player também.
Enfim, além do Swing eu tenho escutado
muito uma banda chamada The Polyphonic Spree
que é um som muito doido. Parece uma seita
hippie da década de 70, bem Eletric Light
Orchestra, bem Charles Manson haueheauahe Gosto
muito.
O que eu nunca deixo de ouvir é Goldfinger,
No Use For A Name, Ataris, Louis Prima, Iron
Maiden, Big Rude Jake, Weezer, The Rapture e
muito som diferente. Da Salsa ao Swing, do Samba
ao Punk, eu escuto muita parada MESMO.
H: Sal,você é adepto do Veganismo(os
veganos não consomem ou utilizam qualquer
tipo de produto de origem animal: carnes, leite
e derivados,couro e afins),o que isso representa
pra você e qual o seu nível de envolvimento
nessa causa tão nobre?
S: Cara, a luta pelos direitos dos animais é a
coisa mais importante da minha vida. Não
consigo entender como as pessoas podem ser tão
cruéis com o nosso planeta, com nossos
coplanetários, com nossa própria
espécie. A luta por esses direitos não é uma
coisa de “ah, tadinhos dos bichinhos”. É uma
coisa séria. Todos os seres têm
direito a terem seus interesses mais primordiais
respeitados. Do homem branco ao besouro vermelho
(procurem sobre Corante Carmim). Essa luta não é só pela
causa animal, é uma luta pelo fim do preconceito
e do ódio. Seja contra o negro, contra
a mulher, contra outras espécies... não
interessa. Isso tem que acabar.
Eu sou completamente comprometido com a Libertação
Animal e não consigo imaginar a minha
vida sem ela. Tento espalhar a palavra, mostrar
pras pessoas o quão nojento é o
sistema e como a gente tem que mudar. O mínimo
que a gente pode fazer pra mudar o mundo é ser
vegano. Todo mundo tem essa responsabilidade,
por mais desconfortável que isso seja.
H: Então Sal,brigadão pela entrevista,sorte
nos projetos,com as bandas,valeu!se quiser falar
algo,sua chance de deixar mensagem é agora!
S: Valeu galera, obrigado pelo espaço,
façam muito som, se expressem e sejam
verdadeiros e felizes. Viver é maravilhoso,
não tomem alguns momentos ruins como verdade
pra vida toda.
Ouçam: www.phonetrio.com www.cinedisco.com.br
www.myspace.com/sinestespace